segunda-feira, 29 de junho de 2015

Noiserv - CCB

No passado dia 13 de Março estive mais uma vez presente num dos concertos envolventemente deliciosos do génio que atende pelo nome de David Santos, Noiserv.

Tratava-se de uma celebração da primeira apresentação do seu trabalho ao vivo, que ocorreu dia 19 de Março de 2005.

Não fiz review na altura, porque ainda há pouco tinha feito do primeiro concerto que assisti e ia estar a repetir a grandiosidade do espectáculo, sendo já uma característica inata.
( ver: http://musicisyouronlyfriendeli.blogspot.pt/2014/12/noiserv-sao-luiz.html )

Hoje, Noiserv lançou o video desse concerto. Vejam por vocês o encanto, sensibilidade e magia que existe num espectáculo deste senhor.

É sempre um prazer e emoção gigantes vê-lo tocar.


sábado, 27 de junho de 2015

Capitães da Areia - Lux Frágil

No passado dia 19, o Lux fazia a festa dos balões pretos. Entre os convidados havia Bispo, Éme, Capitães da Areia e Sensible Soccers Dj Set.

A curiosidade era gigante. Os Capitães da Areia sempre me intrigaram. A verdade é que continuam a intrigar. Mas é algo submerso num sentimento bastante positivo e de satisfação.

O concerto que tive diante dos meus olhos e ouvidos naquela noite foi simplesmente genial. A mescla de estilos que existe e nos reporta à pop portuguesa dos anos 80's é surpreendente. Denotam-se claras influências de Sétima Legião, Heróis do Mar e GNR.

A postura em palco do homem que dá a cara à banda, Pedro de Tróia, é extremamente apetecível. Apresenta-se com uma feição séria do princípio ao fim, sem esboçar um sorriso mas com uma expressão corporal bastante chamativa e interessante. Ao longo do concerto o sarcasmo vai-lhe saindo do corpo tanto pela boca como pelas atitudes.

As letras que compõem as músicas são simples e de poucos versos, mas com a robustez suficiente para o sarcasmo e a crítica temperada. Rapidamente entram no ouvido e lá permanecem.
Os beats electrónicos que subtilmente vão acompanhando os riffs da guitarra real e da guitarra-raquete dão-nos a ideia de uma pop trabalhada e ritmada, com a bateria a ditar os compassos.

O concerto teve um começo em grande e inteligente, iniciando com a "Arco das Portas do Mar". Centrou-se unicamente no último álbum da banda, sendo que das 11 músicas que compunham a setlist, só uma não lhe pertencia. Ouviu-se "Nasci para Enriquecer", "Menina Bonita do Cinema", "Canção Indigestão" "Ájax", entre muitas outras malhas.

Os Capitães da Areia são o Pedro de Tróia, o Tiago Brito, o António Moura, o Vasco Ramalho e a Inês Franco. Deram-se a conhecer ao mundo em 2011 com o álbum o "Eterno Verão d'Os Capitães da Areia", no entanto, só com "A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70" Portugal parou para os ouvir e lhes dar a atenção necessária. Este álbum conta com a participação de Rui Pregal da Cunha, Capitão Fausto, José Cid, Bruno Aleixo, Toy, entre muitos outros.
Quem puder que ouça ou veja estes meninos.









O álbum completo pode ouvir-se aqui:







sexta-feira, 19 de junho de 2015

Courtney Barnnet - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Hoje falo de uma menina. Uma menina rebelde e cheia de talento que lançou o primeiro álbum este ano.
Ela chama-se Courtney Barnnet e tem 26 anos. Iniciou-se no mundo da música em 2010 onde participou num projecto grunge, os Rapid Transit, até 2011. De 2011 a 2013 dedicou-se ao mundo meio psicadélico, meio country, fazendo parte dos Immigrant Union. Em 2012 arriscou numa carreira a solo e lançou o primeiro EP. Neste momento tem 3 EP's e lançou o álbum de estreia  no dia 23 de Março deste ano, Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit. 

Ao ouvir a música single, Pedestrian At Best, confesso que as minhas expectativas ficaram altas. Nesta música há uma garra inexplicável, há toques de agressividade e uma melodia a tocar muito no rock de garagem, mas um rock de garagem limpo,onde os acordes das guitarras, embora simples, constroem um bom ritmo que conjugado com a bateria nos leva a abanar a cabeça.
Ao ouvir o resto do álbum, reparei que estas características existiam apenas naquela música. Das 11 músicas existentes, só uma sobe a intensidade, o resto segue uma linha melodicamente ténue.
Os aspectos que a caracterizam são convidativos: a voz é melódica e aborrecida com a arte de ser transformada em agressiva. O sumo que se extrai daqui resulta numa boa combinação de ingredientes. No entanto, as músicas seguem todas o mesmo traço: um indie-rock melódico, sem grandes picos de loucura, adrenalina ou até rebeldia.

Não digo que o CD não esteja bom porque se ouve bastante bem, apenas não faz juz ao single de lançamento.

O single:


O álbum:

sexta-feira, 5 de junho de 2015

GNR - Caixa Negra

Embora já fora de tempo, não podia deixar passar em branco o regresso dos GNR a estúdio.
No passado dia 23 de Março, após 5 anos de silêncio e alguns mais de "desamparo" musical, os GNR lançam Caixa Negra, o 12º álbum de originais da banda.

Posso afirmar que este álbum cheira a passado e, ao mesmo tempo, a renascimento.
Já não ouvia algo tão bom destes senhores há bastante tempo. O pop que tão bem os caracteriza está de volta e cheio de maturidade com contornos de elegância e a provocação.

Nota-se que houve uma preocupação em voltar às origens de sonoridades da pop clássica. A crítica social está em peso. Cada letra, implícita ou explicitamente toca em aspectos do quotidiano que não nos são indiferentes.

O disco conta com a produção de Mário Barreiros e edição da editora independente IndieFada. Tem 10 faixas e é um bom concorrente para o Top 2015.

O primeiro single:

  

O que dá nome ao disco:


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Nick Cave - Palacio Municipal de Congresos de Madrid

Foi para uma sala enorme e esgotada que, na passada sexta-feira, o Grande Nick Cave e os seus companheiros Bad Seeds tocaram e encantaram.

Em 2h de espectáculo conseguiu nos primeiros 15 minutos que as pessoas se levantassem e se juntassem ao palco. Dono de uma energia incansável, percorreu o palco de um lado ao outro durante o concerto, atirando por vezes com os objectos que o impediam de realizar a sua tarefa...

Quase com 60 anos de idade, o Sr. Cave tem tudo para dar. O seu talento, espalhado pelo corpo, indo dos dedos que tocam no piano, à voz, à cabeça que escreve tão bem, à capacidade de fazer boas composições instrumentais é notório e admirável. Diria até que é um génio.

O concerto foi repleto de sentimento e entrega. Nick queria ter as pessoas junto a ele... tocou diversas vezes nos fãs, chamou alguns para o lado dele e até foi cantar entre eles.

As palavras pareciam ganhar forma quando lhe saiam dos lábios.. e a diversidade de instrumentos existentes envolviam-nas numa atmosfera quase divina e transcendente.

Um concerto que o povo ibérico não irá esquecer e que, certamente, vai ficar no pódio dos melhores do ano. Arrepiante do princípio ao fim.

Nick Cave é um cantor/compositor australiano multifacetado. Conta com 17 álbuns, sendo que o último foi lançado em 2013 - Push the Sky Away tendo-se tornado um dos melhores discos do ano. Entrou n mundo da música em 1973, tendo apanhado todo o movimento envolvente da época.. É um grande companheiro de Bowie e no ano passado lançou um documentário sobre ele - 20 000 Days On Earth (http://musicisyouronlyfriendeli.blogspot.pt/2014/12/20-000-days-on-earth.html).

Uma mostra da tour de 2015 em disco:

 Parte 1:

Parte 2:


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Beautify Junkyards

Apresento-vos os Beatutify Junkyards, banda portuguesa formada em 2012.

Inicialmente aparece como banda de covers seguindo as influências do folk psicadélico dos anos 60 e 70.
Lançam um álbum em 2013, de título 60s and 70s psych folk, tropicalia and kosmische covers lovingly re-crafted for the XXI century.
No final de Abril do presente ano lançam o segundo álbum e, desta feita, de originais - The Beast Shouted Love. Álbum que tanto é cantado em inglês como em português.

Confesso que a primeira audição foi um pouco receosa. Mas rapidamente o receio se transformou em vício. Arriscaria dizer que este álbum é composto por histórias de encantar. Histórias essas que nos transportam por caminhos que cruzam a natureza e um mundo de magia e xamãs.
O enquadramento musical nos anos 60 e 70 é notório. Os sons da natureza e do psicadelismo espreitam a cada nota musical e a subtileza gentil da voz feminina dá o arranque para seguirmos viagem.

A banda é composta por João Branco Kyron, João Paulo Daniel, João Moreira, Rita Vian, Sergue e António Watts.
E o álbum pode ouvir-se aqui:

http://nosdiscos.pt/discos/artistoptimusdiscos/the-beast-shouted-love

terça-feira, 28 de abril de 2015

The Dodos - MusicBox

Foi na passada quinta - feira que estes meninos se deslocaram a Lisboa.
Vieram cheios de energia e vontade de mostrar o álbum novo - Individ.
A sala ia-se compondo e, embora sem esgotar, ficou preenchida de olhares atentos e algumas vozes em coro.
A dupla que já antes descrevera num post de 25 de Fevereiro, surpreendeu os mais curiosos e duvidosos das capacidades de um grupo em usar apenas guitarra e bateria.
As distorções são variadas, desde a voz à guitarra, tocando o psicadelismo com a ponta dos dedos.
A guitarra acústica saudava o público em certas alturas lembrando-nos das origens folk que os caracterizam.
A voz, por vezes, perdia-se entre os instrumentos e estes, por sua vez, exibiam-se com solos deliciosos e camadas de loops.
Ao longo de 1h exacta com encore de 2 músicas, Meric (o vocalista) foi interagindo com o público, contrariando a postura rígida que o caracteriza.
Álbum apresentado, concerto dinâmico e autógrafos no fim, o suficiente para conceder ao público a sensação de saciedade.