sexta-feira, 19 de junho de 2015

Courtney Barnnet - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Hoje falo de uma menina. Uma menina rebelde e cheia de talento que lançou o primeiro álbum este ano.
Ela chama-se Courtney Barnnet e tem 26 anos. Iniciou-se no mundo da música em 2010 onde participou num projecto grunge, os Rapid Transit, até 2011. De 2011 a 2013 dedicou-se ao mundo meio psicadélico, meio country, fazendo parte dos Immigrant Union. Em 2012 arriscou numa carreira a solo e lançou o primeiro EP. Neste momento tem 3 EP's e lançou o álbum de estreia  no dia 23 de Março deste ano, Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit. 

Ao ouvir a música single, Pedestrian At Best, confesso que as minhas expectativas ficaram altas. Nesta música há uma garra inexplicável, há toques de agressividade e uma melodia a tocar muito no rock de garagem, mas um rock de garagem limpo,onde os acordes das guitarras, embora simples, constroem um bom ritmo que conjugado com a bateria nos leva a abanar a cabeça.
Ao ouvir o resto do álbum, reparei que estas características existiam apenas naquela música. Das 11 músicas existentes, só uma sobe a intensidade, o resto segue uma linha melodicamente ténue.
Os aspectos que a caracterizam são convidativos: a voz é melódica e aborrecida com a arte de ser transformada em agressiva. O sumo que se extrai daqui resulta numa boa combinação de ingredientes. No entanto, as músicas seguem todas o mesmo traço: um indie-rock melódico, sem grandes picos de loucura, adrenalina ou até rebeldia.

Não digo que o CD não esteja bom porque se ouve bastante bem, apenas não faz juz ao single de lançamento.

O single:


O álbum:

sexta-feira, 5 de junho de 2015

GNR - Caixa Negra

Embora já fora de tempo, não podia deixar passar em branco o regresso dos GNR a estúdio.
No passado dia 23 de Março, após 5 anos de silêncio e alguns mais de "desamparo" musical, os GNR lançam Caixa Negra, o 12º álbum de originais da banda.

Posso afirmar que este álbum cheira a passado e, ao mesmo tempo, a renascimento.
Já não ouvia algo tão bom destes senhores há bastante tempo. O pop que tão bem os caracteriza está de volta e cheio de maturidade com contornos de elegância e a provocação.

Nota-se que houve uma preocupação em voltar às origens de sonoridades da pop clássica. A crítica social está em peso. Cada letra, implícita ou explicitamente toca em aspectos do quotidiano que não nos são indiferentes.

O disco conta com a produção de Mário Barreiros e edição da editora independente IndieFada. Tem 10 faixas e é um bom concorrente para o Top 2015.

O primeiro single:

  

O que dá nome ao disco:


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Nick Cave - Palacio Municipal de Congresos de Madrid

Foi para uma sala enorme e esgotada que, na passada sexta-feira, o Grande Nick Cave e os seus companheiros Bad Seeds tocaram e encantaram.

Em 2h de espectáculo conseguiu nos primeiros 15 minutos que as pessoas se levantassem e se juntassem ao palco. Dono de uma energia incansável, percorreu o palco de um lado ao outro durante o concerto, atirando por vezes com os objectos que o impediam de realizar a sua tarefa...

Quase com 60 anos de idade, o Sr. Cave tem tudo para dar. O seu talento, espalhado pelo corpo, indo dos dedos que tocam no piano, à voz, à cabeça que escreve tão bem, à capacidade de fazer boas composições instrumentais é notório e admirável. Diria até que é um génio.

O concerto foi repleto de sentimento e entrega. Nick queria ter as pessoas junto a ele... tocou diversas vezes nos fãs, chamou alguns para o lado dele e até foi cantar entre eles.

As palavras pareciam ganhar forma quando lhe saiam dos lábios.. e a diversidade de instrumentos existentes envolviam-nas numa atmosfera quase divina e transcendente.

Um concerto que o povo ibérico não irá esquecer e que, certamente, vai ficar no pódio dos melhores do ano. Arrepiante do princípio ao fim.

Nick Cave é um cantor/compositor australiano multifacetado. Conta com 17 álbuns, sendo que o último foi lançado em 2013 - Push the Sky Away tendo-se tornado um dos melhores discos do ano. Entrou n mundo da música em 1973, tendo apanhado todo o movimento envolvente da época.. É um grande companheiro de Bowie e no ano passado lançou um documentário sobre ele - 20 000 Days On Earth (http://musicisyouronlyfriendeli.blogspot.pt/2014/12/20-000-days-on-earth.html).

Uma mostra da tour de 2015 em disco:

 Parte 1:

Parte 2:


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Beautify Junkyards

Apresento-vos os Beatutify Junkyards, banda portuguesa formada em 2012.

Inicialmente aparece como banda de covers seguindo as influências do folk psicadélico dos anos 60 e 70.
Lançam um álbum em 2013, de título 60s and 70s psych folk, tropicalia and kosmische covers lovingly re-crafted for the XXI century.
No final de Abril do presente ano lançam o segundo álbum e, desta feita, de originais - The Beast Shouted Love. Álbum que tanto é cantado em inglês como em português.

Confesso que a primeira audição foi um pouco receosa. Mas rapidamente o receio se transformou em vício. Arriscaria dizer que este álbum é composto por histórias de encantar. Histórias essas que nos transportam por caminhos que cruzam a natureza e um mundo de magia e xamãs.
O enquadramento musical nos anos 60 e 70 é notório. Os sons da natureza e do psicadelismo espreitam a cada nota musical e a subtileza gentil da voz feminina dá o arranque para seguirmos viagem.

A banda é composta por João Branco Kyron, João Paulo Daniel, João Moreira, Rita Vian, Sergue e António Watts.
E o álbum pode ouvir-se aqui:

http://nosdiscos.pt/discos/artistoptimusdiscos/the-beast-shouted-love

terça-feira, 28 de abril de 2015

The Dodos - MusicBox

Foi na passada quinta - feira que estes meninos se deslocaram a Lisboa.
Vieram cheios de energia e vontade de mostrar o álbum novo - Individ.
A sala ia-se compondo e, embora sem esgotar, ficou preenchida de olhares atentos e algumas vozes em coro.
A dupla que já antes descrevera num post de 25 de Fevereiro, surpreendeu os mais curiosos e duvidosos das capacidades de um grupo em usar apenas guitarra e bateria.
As distorções são variadas, desde a voz à guitarra, tocando o psicadelismo com a ponta dos dedos.
A guitarra acústica saudava o público em certas alturas lembrando-nos das origens folk que os caracterizam.
A voz, por vezes, perdia-se entre os instrumentos e estes, por sua vez, exibiam-se com solos deliciosos e camadas de loops.
Ao longo de 1h exacta com encore de 2 músicas, Meric (o vocalista) foi interagindo com o público, contrariando a postura rígida que o caracteriza.
Álbum apresentado, concerto dinâmico e autógrafos no fim, o suficiente para conceder ao público a sensação de saciedade.






Agenda Mai - Ago 2015 - Lisboa

1 de Maio
The Parkinsons + The Jack Shits
Sabotage Club
10€

2 de Maio
Bruto and The Cannibals
Sabotage Club
7€

Lisboa KAOS: 
Artigo 21 + Osso Ruído + Gatos Pingados + Templários do Rock + Diabolical Mental State + Inkilina Sazabra + KSF + Nostragamus + From Heroes to Zeros + Balazium
República da Música 
5€

One Vision (Tributo a Queen)
RCA Club
6,99€ (4 bebidas incluídas)

5 de Maio
MONO + Helen Money
RCA Club
20€

7 de Maio
Roger Harvey + Caves + Against Me
Paradise Garage
15€

8 de Maio
MIDNIGHT PRIEST + ANGEL MARTYR + SPEEDEMON
RCA Club
8€

Thee Eviltones
Sabotage Club

9 de Maio
CANCER + BLEEDING DISPLAY + DERRAME + SHORYUKEN
RCA Club
17€

15 de Maio 
SLIMMY + DESERTO
RCA Club
8€

16 de Maio
PEARL BAND (Tributo a Pearl Jam)
RCA Club
6.99€ (4 bebidas incluídas)

17 de Maio 
MELECHESCH + KEEP OF KALESSIN + TRIBULATION + EMBRYO
RCA Club
20€

18 de Maio
Moullinex 
Fnac Chiado

21 de Maio
Arch Enemy + Unearth + Drone
Paradise Garage
23€

22 de Maio 
RAD
RCA Club
6.99€ (4 bebidas incluídas)

23 de Maio
MONSTRO (Tributo a Ornatos Violeta)
RCA Club
6.99€ (4 bebidas incluídas)

28 de Maio
Moullinex
Lux
10€

Sensible Soccers
Teatro Maria Matos
5€ a 12€

29 de Maio 
SUNYA + INNER BLAST + SEVENRIOTS
RCA Club
6€

31 de Maio
Capitães da Areia
Fnac Colombo

13 de Julho
Gojira + TBA
Meo Arena
23€

26 de Julho
Azimov + Go!zilla
Sabotage Club

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Kurt Cobain - Montage of Heck

Eis que finalmente surge O Documentário. Aquele que todos devem ver, até os que não gostam de Nirvana.

Entre montagens, entrevistas, animação, filmes caseiros e música surge a descoberta de Kurt Cobain.
Os fantasmas, os medos, as revoltas, os amores, a genialidade que nunca foram aprofundados e, alguns, nem revelados. Está tudo aqui.
A essência pura desde o nascimento até à morte, com relatos dos pais, irmã, madrasta, amigos e mulher.
Não está só muito bem feito tecnicamente (não que eu perceba muito disso), mas também emocionalmente.
São perto de 2h15 em que não há aborrecimento ou exaustão visual.
Simplesmente tem de ser visto. Por todos.
Para os apreciadores e amantes de Nirvana, a comunhão com o grupo vai ficar ainda mais forte. Para todos os outros é uma lição de cultura que não deve ser desperdiçada.
Parabéns Brett Morgen, é um dos melhores documentários de música que alguma vez vi.